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Massagem dói? Quando deve e quando não deve doer

 

A pergunta é simples, mas a resposta exige cuidado. A massagem não foi feita para magoar — foi feita para libertar, soltar, devolver espaço ao corpo. Mas há momentos em que pode surgir desconforto… e isso não significa que algo está errado.

Vamos desmistificar.

A massagem não foi criada para magoar. O seu propósito é libertar tensões, devolver mobilidade, acalmar o sistema nervoso e criar espaço para que o corpo respire melhor. No entanto, é comum que as pessoas se perguntem se a massagem deve ou não provocar dor, e a resposta depende sempre do tipo de técnica, da intenção terapêutica e do estado do corpo naquele momento.

Numa massagem relaxante, a dor não deve estar presente. O objetivo é reduzir a ativação do sistema nervoso, e qualquer sensação dolorosa faz o corpo entrar em defesa, anulando o efeito calmante. O mesmo vale para sessões voltadas para ansiedade ou stress: corpos ansiosos são mais sensíveis e respondem melhor a toques suaves e progressivos. Também não é desejável sentir dor nos primeiros minutos da sessão, quando o corpo ainda está a adaptar-se ao toque e a criar confiança. Regiões inflamadas ou lesionadas exigem ainda mais cuidado, pois a dor aguda é um sinal claro de que o corpo precisa de proteção.

Há, no entanto, situações em que algum desconforto pode surgir e ser considerado normal. A liberação de pontos de tensão, contraturas ou aderências pode provocar uma sensação de pressão intensa, mas suportável, que alivia logo depois. Técnicas como a liberação miofascial também podem gerar um desconforto breve, já que a fáscia é sensível quando está presa. Tensões acumuladas ao longo de meses ou anos podem manifestar-se através de uma dor momentânea no processo de libertação. Em contextos desportivos ou terapêuticos específicos, a massagem pode ser mais profunda e funcional, mas nunca agressiva.

É importante distinguir a dor boa da dor má. A dor boa é suportável, diminui rapidamente, traz sensação de alívio e não deixa marcas. A dor má é aguda, cortante, faz o corpo contrair, provoca medo, deixa hematomas e prolonga-se por horas ou dias. A massagem nunca deve ultrapassar o limite do corpo.

O que digo sempre aos meus clientes é simples: o corpo fala, e eu escuto. Se algo incomoda, ajusto. Se o corpo pede profundidade, acompanho. Se pede suavidade, respeito. A massagem é um diálogo constante entre terapeuta e corpo, nunca uma imposição.


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